Pensamentos aleatórios

Pensando alto



Eu sou cético e, no momento, ateu (mas não um ateu no sentido comum, explicarei isso mais abaixo). Depois de muito refletir sobre o que tenho talento para fazer, a única conclusão satisfatória à qual cheguei foi que eu duvido das coisas melhor que a maioria das pessoas – não que isso seja bom a ponto de me vangloriar. Enfim, partindo desse meu “talento”, resolvi fazer algumas reflexões.

Sou contra as religiões, mas não às crenças. Religião causa conflitos, mortes, intolerância. Ao mesmo tempo em que une algumas pessoas, separa outras por não terem a mesma opinião sobre o sobrenatural. Já as crenças são indispensáveis ao ser humano. Seja num deus, na ciência ou na crença de que nada faz sentido, todos acreditam em algo. E isso é bom, pois constrói um espírito crítico em cada pessoa.

A diferença é que na crença você acredita em algo e pronto. Não precisa de outros que concordem com você. Tanto faz se eles idolatram Darwin, Buda, Jesus ou um elefante, cada um acredita no que quiser. Mas, no momento em que um determinado grupo com idéias compatíveis começa a achar que sua crença é a única correta e passa a espalhar isso aos quatro ventos, surge uma religião.

Se houvesse uma única religião, tudo bem. Seríamos uma sociedade completamente arcaica, tanto materialmente quanto psicologicamente, mas não haveria conflitos graves. Mas somos seres pensantes, logo nunca teremos opiniões 100% compatíveis com as dos outros, e isso gera conflito.

Conflito é algo bom, pois é uma necessidade humana. Sem conflito, não há evolução de idéias. O problema é levá-lo até as últimas conseqüências, como nas guerras santas que ocorrem no Oriente. Quando alguém chega ao ponto de matar outra pessoa por ela não acreditar no que você crê, tem-se o fanatismo religioso, o pior estágio que a religião pode alcançar.

Bom, depois de toda essa reflexão, finalmente explico o que eu quis dizer com o “sou ateu, mas não um no sentido comum”: eu não acredito em nenhum deus no sentido em que ele é explicado pelas religiões que conheço, mas acredito em um deus.

O deus em que acredito, ao menos neste momento da minha vida, não é um ser, mas um todo. “Ele” seria a Ordem de todas as coisas, pois, mais difícil que acreditar em algo sobrenatural, é acreditar que o Universo é um caos completo e que nossa existência não tem sentido algum. Simplesmente não entra na minha cabeça que estamos aqui por coincidência, vivos e pensantes, e que nosso destino é apenas morrer e nossos átomos voltarem a compor a terra até um dia, novamente por coincidência, compor de novo outros seres humanos. E esse ciclo se repetir até que tudo deixe de existir.

Eu digo que acredito nisso, mas não quer dizer que comprovei ou “senti” a existência desse deus. Apenas creio que ele deva existir, pois uma vida sem sentido não é uma vida. E neste ponto sou a favor da religião, pois ela dá explicações, mesmo que para mim não façam sentido, mas que evita que as pessoas pensem e cheguem a conclusões não muito satisfatórias como a minha. Não acho que a maioria delas conseguiria lidar com uma vida sem um paraíso ou um inferno após a morte.

1 Comentário:

Jottae disse...

eu e tu, tu e eu, pensamos parecido, tambem concordo que a religião tem seus pos e contras.
E que temos algum objetivo na vida.

Jottae

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