Pensamentos aleatórios

Alguns paradoxos do homicídio

Um assaltante entra numa loja, rouba todo o dinheiro do caixa e, talvez por engano, pensando que um vendedor está tentando chamar a polícia, dá um tiro certeiro num órgão vital do indivíduo, que instantaneamente cai morto.

Não é preciso especificar um caso como o narrado acima, pois todos os dias isso ocorre em vários lugares do Brasil. Mas, embora a violência tenha se tornado uma rotina em nosso país, sempre há quem reclame e se revolte, perguntando onde está a polícia e falando mal da segurança pública.

Certo, há muito o que reclamar e essa atitude não merece ser criticada. O problema é a mania de o povo brasileiro reclamar de qualquer coisa, que muitas vezes soa como uma opinião contraditória e vazia.

Um exemplo: imagine que no crime narrado havia um policial à paisana na loja e, percebendo a motivação do assaltante em matar o funcionário, saca um revolver, atira e fere fatalmente o criminoso.

Da mesma forma que antes, sempre aparece gente para reclamar e se revoltar. Dizem que a polícia abusa da autoridade e da violência, que o assaltante só seguiu o caminho do crime porque nossa sociedade é injusta e não dá escolha para o pobre, que o “coitadinho” era apenas uma vítima da precária educação brasileira e o escambau.

Ou seja: quando um trabalhador é morto, a culpa é da polícia que não dá segurança adequada à população; quando um criminoso é morto, a culpa também é dela por extrapolar na violência e “matar legalmente”. Você acha que pessoas com argumentos tão contraditórios merecem ser levadas em consideração?

Quando se trata de violência nas ruas, tanto os cidadãos quanto o governo condenam os criminosos, mas, ao mesmo tempo, defendem a vida a qualquer custo, afinal vivemos num país onde a religião tem grande força e influência na política, condenando a morte por homicídio (“só ‘Deus’ tem o direito de tirar a vida” e blá blá blá...).

Mas, quando se trata de uma guerra, mesmo o Brasil não se importaria por enviar milhares de soldados rumo à morte por pretextos econômicos ou ideológicos. E nesses momentos poucos se levantam para dizer que pais de família matam e morrem. Filhos matam e morrem. Netos matam e morrem. Todos por motivos que seriam simplesmente evitados se houvesse menos ganância e mais tolerância por parte das nações.

Matar nem sempre é errado, errado é pensar.

3 comentário(s):

Roberta disse...

É verdade Guilheme! A prova é um incidente que aconteceu há mto tempo na Candelária, com os pivetes. Estes pivetes que sempre atacavam, assaltavam pessoas. Um dia, apareceu um *matador* e eliminou todos. Logo a imprensa, os defensores dos direitos dos adolescentes apareceram no local ... basta dizer que o incidente ficou conhecido como *a chacina da candelária* .. mas e qto as outras chacinas em que as vitimas eram trabalhadores, pessoas inocentes...? Ficam esquecidas... Tsk..
Abs... Roberta :-)

Daniduk disse...

Interessante sobre o que comentou Guilherme.

Veja que nunca aparece Direitos Humanos quando um policial é morto por bandidos, mas quando um bandido é preso, cai em cima todos os tipos de proteção para o seu "bem estar".

Sabe o que acho?

Que o Brasil merece esse tipo de tratamento desigual e injusto, pois a culpa só pode vir do próprio povo, é uma pena que a minoria tenha que passar pelos mesmos constrangimentos e injustiças só por causa da maioria irracional e sem educação que não sabem diferenciar o certo do errado...

Guilherme Gurgel disse...

Concordo contigo Daniduk, os brasileiros têm o Brasil que merecem.

Pouco depois de escrever esse texto, soube de uma notícia relacionada com o tema e que é um excelente exemplo: um grupo de punks, daqueles bem malucos mesmo, espancou um rapaz até a morte (não tenho certeza, mas acho que foi em São Paulo). O pai da vítima, percebendo que a polícia não ia fazer nada, resolveu fazer justiça com as próprias mãos e assassinou os caras que mataram seu filho.

O resultado foi previsível: ele foi preso e condenado a vários anos por homicídio doloso.

Isso é justiça?

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